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A história da Feira Livre em Jundiaí pelo olhar do feirante

Existem poucos registros oficiais sobre o início das feiras em Jundiaí, algumas histórias datam do ano de 1940, apenas em 1979, as feiras foram regulamentadas no Município, pela Lei Municipal 2.673 de 26 de setembro de 1979, e para contar essa história, partimos de relatos dos feirantes sobre fatos, acontecimentos e suas vivências.

Os Irmãos Yokota, por exemplo, contam que participam desde 1949, quando ainda eram meninos.

Proprietários do caminhão 1948 (foto abaixo), é com ele que desde 1970 até os dias de hoje, o Sr. Paulo e o Sr. Jorge, como são conhecidos, chegam a feira para montar sua banca, segundo Sr. Paulo, ele é quem conserta o mesmo, porque ninguém o conhece tão bem, e quando comenta do veículo, diz que não troca, não vende e nem dá. O caminhão é tratado como relíquia, muitos já fizeram ofertas para a compra do caminhão, incluindo colecionadores de veículos antigos, mas não houve negócio.

Caminhão 1948

Sr. Jorge
Mais tímido dos dois irmãos o Sr. Jorge, não desiste da feira, mesmo enfrentando problemas de saúde, está sempre na banca com o irmão, dia após dia, atendendo todos os clientes, com muita calma e tranqüilidade. Quando soube do registro da foto, se arrumou e deu um sorrisinho alegre e disse estar muito feliz, até as pessoas que passavam pelo local se divertiram com a alegria e disposição dos irmãos.

Sr. Jorge

Sr. Paulo
Bem mais extrovertido que o irmão, o Sr. Paulo adora uma prosa, com um bom papo esquece até que tem clientes aguardando, dando uma pausa na conversa, atende seus clientes atenciosamente, diz que a maior procura é pelas bananas, que na feira da Vila Jundiainópolis fazem até fila para comprá-las, vendendo todas sempre antes do termino do expediente da feira. A cada cliente atendido, Sr. Paulo faz um agrado, colocando sempre uma frutinha a mais, como por exemplo, maçãs.

Buscando na memória, o bom contador de histórias, conta que ele e o irmão mudaram-se com a família para Jundiaí em meados de 1945 e em 1949 começaram a trabalhar nas feiras, tinha na época uns 12 anos, as mercadorias segundo o Sr. Paulo, eram trazidas por meio de carrinhos, carroças, etc, e podiam comercializar “de tudo” na banca. Sempre plantou todas as mercadorias que comercializava, tinha as melhores frutas, verduras e legumes na época. Foi então morar com o irmão Jorge em um sitio na Vila Maringá, onde ficaram por aproximadamente 20 anos, continuavam plantando tudo o que vendiam, porém, a construção da Rodovia Bandeirantes e a Rodovia Anhanguera, acabou com o sossego dos dois, furtos de ferramentas e das hortaliças que plantavam forçaram os irmãos a mudarem-se novamente.

Saudosamente o Sr. Paulo conta que não havia fiscalização por parte dos órgãos públicos, passava uma pessoa do mercado, como era conhecido o Ceasa, de quando em quando medindo a banca e cobrando pela instalação, na época trabalhava de segunda a segunda e nunca tinha folga. Nas segundas fazia a feira na Rua Alexandre Fleming no Jardim Pacaembu, onde hoje é realizado o varejão aos domingos. Com tantas histórias a vida dos Yokotas daria um livro.

Sr. Paulo

 

Já o Sr. Sakai Massau e a Sra. Yuri Sakai, feirantes cerealistas, iniciaram suas atividades em meados 1973. Após dez anos o Sr. Sakai Massau faleceu, tendo desta forma a filha do casal a Sra. Vilma assumido a banca, junto com irmão, Sr. Roberto. Na época eles possuíam 2 bancas. Vilma sempre acompanhou os pais no trabalho, e com 12 anos assumiu a função de ajudante.

O Sr. Sakai foi um grande empreendedor e é lembrado com carinho pela filha, assim como seus ensinamentos que são levados até hoje. Vilma conta que desfruta hoje de bens conquistados pelo pai e por ela, com o trabalho da feira, trabalho este ao qual Vilma é muito grata. Lembra ainda, saudosa, dos tempos em que não existiam mercados e as pessoas se dirigiam as feiras para comprar produtos como arroz, feijão e tantos outros itens.

Visando atender a demanda, havia muitos funcionários na banca. Hoje com a concorrência das redes de supermercados, hipermercados e atacadistas instalados na cidade, Vilma trabalha apenas com um ajudante, e relata que há necessidade de apresentar diferenciais que atraiam e mantenham a clientela – um deles é a qualidade dos seus produtos.

Família Sakai – Vila Progresso – 1996

Família Sakai – Ponte São João – 1996

Ponte São João – 1996

Vila Rami

Vila Rami